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Opinadela: Sinto-me violado pelas Greves

Esta é a verdade. Esta é a minha opinião. Este é o meu desagrado. Sinto-me violado pelas Greves. 

O direito à greve é um direito consagrado – e ainda bem. Mas atenção! este método de fazer greve é uma violação das liberdades e direitos dos restantes cidadãos, pelo que não me peçam para compreender nem me peçam para apoiar.

Vejo os sindicatos como máquinas de pura propaganda que convocam greves lesivas para os cidadãos e que só servem para, no fim, dizerem que estão satisfeitos com a taxa de adesão à greve. Parece-me um descarado método de dizerem: - "Estamos aqui, existimos e trabalhamos. Que orgulhosos que estamos! Continuem a apoiar-nos. Continuem a alimentar-nos. ". E os resultados práticos? Raramente existem. Apenas mais palavras de ordem e chavões.

Mas eu afirmei (e continuo a afirmar) que as atuais greves são violadoras de direitos e liberdades, e quem lê este texto poderá questionar-se sobre tal afirmação. Passo a explicar através de exemplos. 

As greves dos STCP ou do Metro (transportes públicos) são sinónimo de confusão total. Geram trânsito excessivo porque as pessoas se veem obrigadas a recorrer aos seus carros para chegarem aos empregos que não toleram atrasos. E aqueles que não têm carro sujeitam-se à espera ou à caminhada. Geram custos acrescidos para os utentes/clientes que pagaram a assinatura mensal (passe) para utilização dos transportes públicos e se veem obrigados a gastar mais dinheiro em combustível - e até mesmo em estacionamento. No fundo geram desconforto e frustram expetativas. E até à data não lhes vejo resultados práticos, pois convocam greve atrás de greve. 

As greves na TAP são outro exemplo de situações que geram desconforto, custos acrescidos e destroem as expetativas dos clientes. "Apanhar" um avião não é o mesmo que "apanhar" um táxi, não se trata de esperar 5 minutos pelo próximo! 

Em ambos os exemplos estão em causa as liberdades e direitos de cidadãos, as vidas pessoais e profissionais dos indivíduos alheios aos motivos dos grevistas. Como se pode afirmar que o direito à greve é mais importante que o direito ao trabalho? Sim, porque muitos trabalhadores veem-se obrigados ao desenrascanço para chegarem a tempo e horas aos seus locais de trabalho ou são penalizados - longe vão os tempos em que as greves nos transportes eram desculpa para chegar atrasado ao emprego. Como se pode afirmar que o direito à greve supera o direito à educação? Caso não se tenham apercebido, muitos pais que se veem sem a possibilidade de levar os filhos à escola optam por deixá-los com os avós nesse dia. Como se pode afirmar que o direito à greve supera a liberdade de circulação das pessoas? Os transportes públicos são um meio de garantir a mobilidade dos indivíduos que não possuem meio de transporte próprio. Como dizer que o direito à greve tem mais valor que o direito às férias? Sim. Se eu tiver um voo de ida em dia de greve para gozar umas merecidas férias mais longe, provavelmente as minhas férias não começarão por ser um tempo de descanso agradável. E se tiver um voo de regresso em dia de greve, como vou justificar ao meu empregador que não vou trabalhar porque ainda estou no meu destino paradisíaco? E não me digam que não há violações, mas meras limitações, porque aí digo-vos que então não têm motivo para convocar greves para protestarem contra as limitações dos vossos direitos. Se uns podem ser limitados, todos podem ser limitados.

Concordo, pois, que se consagre o direito à greve, mas consagrem-se, igualmente, os seus limites no que concerne ao respeito pelos outros cidadãos. Apoiarei uma greve que realmente faça sentido, que seja mais do que uma mera balda ao trabalho ou uma paralisação dos serviços prestados que apenas prejudica os cidadãos. Apoiarei uma greve que realmente – e apenas – pise os calos aos empregadores ou entidades a quem os grevistas tentam fazer chegar a sua voz. Apoiaria, por exemplo, uma greve dos transportes públicos em que nesse dia os utentes/clientes não pagassem pelas viagens. Ou uma greve nos serviços hospitalares em que se recusariam a cobrar os serviços prestados. Apoiaria uma greve dos serviços de recolha de lixo em que os sacos seriam recolhidos e os contentores esvaziados, para serem despejados à porta da empresa municipal responsável ou da sede da autarquia. Aí seriam mais facilmente ouvidos. Aí passariam uma mensagem.

Está na hora de deixarem os pregões gastos e que parecem escritos por crianças, assim como as bandeiras de luta operária do século passado, essa luta decadente que continua sem resultados e que parece nunca mais ganhar a guerra. Ergam-se novas bandeiras! Arranjem-se novos comandantes e novas armas! Opte-se por novas e mais eficazes formas de luta.

 

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